Marta Dourado 

Lap08114

Escultura

Projecto 4º ano

Em desenvolvimento:

Perturbação Obsessiva Compulsiva

 

Elemento: Quadrado

  • Introdução ao projecto:

Para Projecto decidi reflectir e trabalhar sobre Perturbações Obsessivas Compulsivas.

Não se remete a um tema auto-biográfico na medida em que não possuo esta perturbação, mas apenas a uma de todas as áreas de que tenho um relativo interesse (Psicologia). Sendo a Psicologia, um tema complexo e de informação variável relativamente aos conteúdos que abrange, tive de me focar apenas numa das suas particularidades e por isso mesmo, decidi escolher este tema das Perturbações Obsessivas Compulsivas. Inicialmente realizei uma pesquisa geral de vários conteúdos que a psicologia abrange até chegar a este mesmo tema. Através de uma reflexão mais profunda acerca do meu trabalho de investigação, cheguei a uma ideia (não conclusiva) de uma hipótese de trabalho a ser desenvolvido mais especificamente. Para chegar e esta conclusão, fiz um estudo introspectivo aos meus trabalhos, nos quais, reparei numa tendência à utilização de figuras geométricas ou à visualização, mesmo em matérias orgânicas. É de reforçar que não estou ligada directamente a esta perturbação. Despertou-me um particular interesse devido à minha metodologia de trabalho pessoal, se assim o poderemos considerar de metodologia, a tendência para a realização de repetições nos elementos que trabalho. Através da continuidade à investigação acerca da POC, consegui compreender a versatilidade dessa perturbação, entendendo e melhorando o meu conhecimento acerca do mesmo. Efectuarei portanto, vários estudos formais e complexos de repetição. Ao nível da matéria irei realizar experiências no qual encontrarei um material que mais se adeqúe (material a ser definido posteriormente como gesso, materiais reciclados, madeira, ferro, pedra…).

Com o desenvolvimento do projecto fui criando uma linha de trabalho especifica, ou seja, poderia tentar representar enquanto externa a essa perturbação, uma possível aproximação a representações formais para o mesmo, no entanto, optei  por tornar o meu trabalho como sendo obsessivo compulsivo. Crio assim uma ligação mais aproximada ao que deverá ser viver constantemente com esse problema. Para obter uma particularidade mais especifica dentro dessa linha de trabalho escolhi dentro desses parâmetros focar-me num elemento de representação, o quadrado. Dentro do projecto anual irei efectuar vários trabalhos onde neste estarão presentes esse mesmo elemento objectivamente ou subjectivamente representados. Será o elemento em destaque para este ano.

O objectivo inicial será o de entender como ocorrem essas perturbações e recria-las segundo a minha interpretação visíveis ao público.

  • Anexo:

Desenvolvimento da investigação

Obsessões

 “             Quanto à forma, os pensamentos obsessivos podem constituir-se por ideias, imagens ou impulsos repetitivos que, sendo por isso, intrusivos e, geralmente perturbadores (pelo próprio conteúdo, frequência ou ambos). […]

                […] As convicções obsessivas consistem em pensamentos, muitas vezes de carácter mágico (por exemplo, relacionadas com a prevenção de catástrofes): “se não mexer a colher três vezes, a minha mãe morre”. […]

[…] As ruminações obsessivas envolvem intermináveis e inconclusivos pensamentos sobre questões que não obtêm qualquer resposta. Os impulsos obsessivos envolvem principalmente a preocupação de poder cometer um acto nocivo, imoral ou agressivo. Os medos obsessivos, embora de certo modo similares às fobias, como é sabido, envolvem mais tipicamente temas relacionados com a sujidade e com a contaminação.

                 […] É um dado inquestionável que em determinado indivíduo pode predominar uma forma específica de obsessão, como por exemplo, certo tipo de pensamentos ou imagens mentais ou, eventualmente ocorrerem diferentes formas, em diferentes etapas da doença, sem esquecer que também pode co-existir várias formas de obsessões. […]

[…] Uma outra característica fundamental das obsessões, irrompendo antes ou depois do ritual, é que são reconhecidas pelo doente como pertencendo-lhe. […]

[…] o doente obsessivo vivencia a representação obsessiva como algo que procede de si próprio, enquanto produto da sua mente. […]

                […] Quanto ao conteúdo das obsessões, também pode ser  múltiplo, havendo por isso, diversas combinações de formas e de conteúdos, embora com um numero relativamente limitado de temáticas. Akhtar et al. (1975), referem que o conteúdo das obsessões pode ser incluído em cinco grandes categorias prototípicas que, por ordem decrescente de frequência são, respectivamente: sujidade e contaminação, agressão, preocupações de ordem, sexo e religião […]. “

Tipos de Obsessões quanto ao Conteúdo

Contaminação:

As obsessões de contaminação são as mais frequentes. Envolvem preocupações, tais como, com “germes” e sujidade. Os pacientes desenvolvem medos como a possibilidade de contrair ou disseminar uma doença perante um contaminante. Por vezes, esse medo não consiste em contrair uma doença especifica, mas sim o medo da própria experiência do “não estar limpo”. Os pacientes com obsessões de contaminação, para além dos rituais de lavagens frequentes, envolvem-se também em comportamentos de evitamento, que irão prevenir o perigo da exposição ou o contacto com os contaminantes. 

“ […] podem assumir aspectos mais bizarros, como é o caso de uma doente que passava o dia inteiro fechada em casa, sentada numa cadeira horas a fio, para evitar o contacto com os múltiplos objectos “contaminados” da sua própria residência. “

Dúvida Patológica:

                Os doentes com dúvidas de natureza obsessiva (uma das obsessões mais frequentes), estão habitualmente sob o jugo de preocupações constantes, relacionadas com a possibilidade de que em consequência de um eventual descuido seu, possa acontecer algo terrível ou pelo menos desagradável. Por exemplo, temer que a casa se incendeie por se terem esquecido de desligar o gás do fogão […]. Embora os doentes refiram ter uma certeza relativa de terem efectuado o comportamento em questão (fechar a porta, desligar os interruptores, pagar as contas, etc.), não conseguem eliminar a constante dúvida “e se…?”. Os doentes podem duvidar até das suas próprias percepções, como o caso de um homem que era incapaz de deitar fora os sacos de compras que fazia, por medo de não os ter esvaziado completamente. Ou, como o caso de uma doente que sofria bastante por ser incapaz de enviar correio, em virtude de ter dúvidas sistemáticas se, inadvertidamente, não teria colocado na correspondência, informações erradas. […], os doentes podem passar várias horas em casa a efectuar verificações sucessivas, muitas vezes sobre as mesmas coisas, antes de conseguirem sair. […].

Necessidade de Simetria:

                “[…] Este tipo de obsessão designa essencialmente a necessidade de ordenar, de arrumar ou colocar as coisas de um modo “perfeito”, ou de efectuar certos comportamentos “da maneira certa”. “

                Os pacientes sentem-se com a necessidade de efectuar a repetição de um determinado acto motor até acharem que os objectos já estão devidamente colocados na maneira correcta. 

 “[…] no caso de um doente jovem que tinha a compulsão de passar os umbrais das portas, exactamente no centro, a fim de prevenir que algo de terrível acontecesse aos seus pais.”, ou seja, a simetria também pode estar patente em pacientes com compulsões de tocar ou de bater em objectos. “[…] no caso de um doente que ao sentar-se tinha necessidade de bater no lado esquerdo da cadeira e, de seguida, no lado direito.” Os pacientes com necessidades de simetria podem também apresentar lentidão obsessiva, a qual resulta no demorar muito tempo a efectuar uma tarefa. “[…] no caso de um doente que gastava cerca de duas horas a escovar os seus dentes, sempre de um modo simétrico.”

Obsessões Somáticas:

                Os pacientes com obsessões somáticas, são aqueles que têm um enorme receio e uma atenção excessiva relativamente à possibilidade de virem a ficar doentes. As obsessões somáticas mais comuns estão relacionadas a variadas doenças físicas, “[…]o receio de contrair uma doença oncológica ou uma doença venérea, assumindo o medo da SIDA, na maior parte dos indivíduos[… ]” isto é, as pessoas com estas perturbações assumem a necessidade repetitiva de verificar repetitivamente as várias partes de seu corpo como a dependência da realização de exames médicos.

Obsessões Sexuais e Agressivas:

                Os pacientes com esta perturbação estão sistematicamente preocupados com o receio de vir a cometer algum acto agressivo perante outra pessoa, a nível de agressões físicas ou sexuais. Existe uma preocupação tremenda de não conseguirem controlar estes mesmos actos que eles mesmos consideram imorais. “[…] existem referências de mães que sofrem do medo de cometer actos agressivos sobre os seus filhos, como por exemplo, esfaqueá-los, envenená-los, afogá-los, etc.”

                O paciente para além de ter essa preocupação, tem também a preocupação da possibilidade de já ter cometido esse acto no passado.

Outras Obsessões:

Para além das obsessões referidas acima, existem outras obsessões que igualmente induzem ansiedade e em alguns casos sintomas de depressão. Esses casos com sintomas de natureza depressiva designam-se de ruminações obsessivas, isto é, são ideias fúteis ou imponderáveis que envolvem considerações intermináveis. “ (por exemplo, será que Deus existe ou não existe?). Resumidamente, os fenómenos de natureza obsessiva podem ter várias apresentações, formas e conteúdos tendo como características comuns:

  1. Carácter iterativo e contra a vontade do individuo.
  2. Habitualmente são desagradáveis.
  3. Reconhecidas como emanando de si-próprio.
  4. O indivíduo tenta resistir-lhes activamente.”

Compulsões:

                Os rituais compulsivos são comportamentos que podem ser repetidos excessivamente. O indivíduo vê nesses rituais uma maneira de prevenir certos acontecimentos os quais objectivamente improváveis. O indivíduo deparado com estas compulsões tenta afincadamente resistir a estes actos ineficazes. Em casos de perturbação mais avançada, o paciente já não consegue lutar contra essas mesmas compulsões. “ Na literatura em geral, os dois tipos mais frequentes são os rituais de lavagem e os rituais de verificação.”

                Num estudo realizado por Stern e Cobb, em 1978, com 45 doentes, poderemos verificar que: “51% apresentavam rituais compulsivos de lavagem, 51% de “evitamento”, 40% de repetição e, 39% de verificação. […] existiam outros menos frequentes, […] meticulosidade (9%) e Lentidão obsessiva (4%).”

Obsessões e compulsões

As múltiplas faces de uma Doença

António Ferreira de Macedo

Fernando Edilásio Pocinho

    “[…] tem 30 anos de idade e é professora do ensino básico, tem uma história que dura há 5 anos de verificação repetitiva das suas fichas escolares, percorrer em sentido inverso os seus percursos de automóvel, pensamentos persistentes sobre a eventualidade de acontecer algo de mau aos pais, excessiva preocupação com a sua saúde e dificuldades em fazer sozinha as compras para a casa. […]”

    Uma obsessão trata-se de pensamentos, impulsos ou imagens que as pessoas não conseguem controlar e esse mesmo descontrolo causam-lhes ansiedade. As compulsões tratam-se de comportamentos ou actos mentais repetitivos que o paciente se sente forçado a realizar para diminuir o seu estado de ansiedade.

    “[…] as compulsões nem sempre são actos e podem também ser cognitivas (por exemplo, padrões ritualizados de pensamento que o indivíduo se sente compelido a repetir vezes sem conta, de modo a afastar determinada catástrofe que receia).[…]”

Casos Clínicos

DSM-IV-TR

Guia para o diagnóstico diferencial

Allen Frances

Ruth Ross

Perturbações de ansiedade

A perturbação Obsessivo-Compulsiva é caracterizada por obsessões (as quais causam forte mal-estar ou ansiedade) e/ou compulsões (as quais servem para neutralizar a ansiedade. […]

300.3 Perturbação Obsessivo-Compulsiva [F12.8)

Características de diagnóstico

    As características essenciais da Perturbação Obsessivo-Compulsiva são as obsessões ou as compulsões, recorrentes (Critério A), que são suficientemente intensas para serem consumidoras de tempo (isto é, ocupam mais de 1 hora por dia) ou que causam forte mal-estar ou deficiência significativa (Critério C). Nalgum momento durante a evolução da perturbação, a pessoa reconheceu que as obsessões ou as compulsões são excessivas ou irracionais.  (Critério B). Se estiver presente outra pertubação do Eixo I, o conteúdo das obsessões ou compulsões não se restringe a ela (Critério D). A perturbação não é provocada por um efeito fisiológico directo de uma substância (por exemplo, abuso de drogas, medicação) ou um estado físico geral (Critério E).

    As Obsessões são ideias, pensamentos, impulsos ou imagens persistentes que são esperimentados como intrusivos e inapropriados e que causam forte ansiedade ou mal-estar. A qualidade intrusiva e inapropriada das obsessões tem sido referida como «egodistónica» . Isso indica o sentimento do sujeito de que o conteúdo da obsessão lhe é estranho, fora do seu controlo e que é um tipo de pensamento que esperaria não ter. Contudo, o sujeito é capaz de reconhecer que as obsessões são produto da sua mente e não lhes são impostas exteriormente (como na inserção de pensamentos).

    As obsessões mais comuns são os pensamentos repetidos acerca da contaminação (por exemplo, ficar contaminado por cumprimentar com um aperto de mão), dúvidas repetidas (por exemplo, pensar se executou ou não determinado acto, tal como ter ferido alguém num acidente de viação ou ter-se esquecido de trancar a porta da rua), necessidade de ter de fazer as coisas segundo uma ordem determinada (por exemplo, mal-estar intenso quando os objectos estão desordenados ou assimétricos), impulsos horriveis ou agressivos (poe exmplo, ferir o seu próprio filho ou gritar uma obscenidade na igreja) e imagens sexuais (por exemplo, uma imagem pronográfica recorrente). Os pensamentos, impulsos ou imagens não são simplesmente preocupações excessivas acerca de problemas da vida real (por exemplo, preocupações acerca das dificuldades do dia-a-dia, tais como problemas financeiros, no trabalho ou na escola) e é pouco provável que estejam relacionados com problemas da vida real.

    O sujeito com obsessões habitualmente tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos ou impulsos, ou neutralizá-los com outros pensamentos ou acções (isto é, compulsões). Por exemplo, um sujeito importunado por dúvidas a propósito de ter ou não apagado o fogão tenta neutralizá-las vereficando repetidamente o fogão para ter a certeza de que o apagou.

    As Compulsões dão comportamentos repetitivos (por exemplo, lavagens das mãos, ordenações de objectos, verificações) ou actos mentais (por exemplo, rezar, contar, repetir oalavras mentalmente), cujo objectivo é evitar ou reduzir a ansiedade ou mal-estar e não cirar prazer ou gratificação. […] Por exemplo, sujeitos com obsessão de contaminação podem diminuir o seu mal-estar lavando as mãos até essas ficarem em carne viva; sujeitos perturbados pela obsessão de poderem ter deixado a porta da rua aberta podem ser compelidos a verificar repetidamente a fechadura da porta de poucos em poucos minutos; sujeitos perturbados por pensamentos não desejados relacionados com blasfémias podem contar até 10, de modo crescente e decrescente, 100 vezes, sempre que a blasfémia ocorre. […]

    Por definição, os adultos com um Perturbação Obsessivo-Compulsiva reconheceram, durante algum período da perturbação, que as obsessões ou compulsões eram excessivas e irracionais. […]

    As obsessões ou compulsões têm de causar um mal-estar claro, consumirem tempo (mais de 1 hora por dia) ou intreferirem de modo significativo com as rotinas normais do sujeito, funcionamento ocuupacional, actividades sociaias habituais ou relacionamentos com os outros. As obsessões ou compulsões podem tomar o lugar de comportamento úteis e satisfatorios e podem ser altamente disruptivas em relação ao funcionamento global. Uma vez que as introsões obsessivas podem resultar em distrracção, frequentemente deterioram o desempenho em tarefas cognitivas que requerem concentração, tais como ler ou trabalhar no computador. […]”

American Psychiatric Association

DSM-IV-TR

Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais

4ª Edição

Texto Revisto

Climepsi Editores